Dá para descomplicar a governança corporativa?
Luiz Fernando Reginato

Luiz Fernando Reginato

Consultor e Conselheiro, Economista e Mestre em Sociologia

Dá para descomplicar a governança?

Muitos textos orientam as empresas sobre o que mudar. O objetivo aqui é contribuir para que a governança corporativa continue sendo este importante referencial entre o passado e o futuro

Imagine um empresário com o propósito de adotar a governança corporativa na sua empresa. Assim motivado, participa de eventos, compra livros, estuda as melhores práticas e fica ligado nas dicas dos especialistas. Algum tempo depois, a incerteza: como dominar tantos assuntos relevantes, realizar seu objetivo e ainda cuidar dos seus negócios?

Mesmo para especialistas em governança, acompanhar a dinâmica do conhecimento não é tarefa fácil. Nos últimos 10 anos, a geração de conteúdos sobre o tema, alguns de qualidade duvidosa, proliferou. De fato, a governança exige abordagem multidisciplinar para lidar com questões diversas como: relações e poder, sucessão e capital humano, estratégias e clientes, investimentos e riscos, processos e controles, comunicação e tecnologias, integridade e sustentabilidade. E, tudo isso, em cenários incertos e contextos mutantes.

O curioso da história é a aparente contradição: enquanto as tendências sociais e inovações tecnológicas orientam mercados, produtos e serviços para a racionalidade, integração, praticidade e maximização dos recursos, a governança parece seguir caminho oposto. Sua institucionalização a torna mais complexa e inacessível para as pequenas e médias organizações, justamente as que mais dependem dos seus fundamentos e práticas para viver e sobreviver. O risco dessa entropia é afastar-se de seus propósitos e das necessidades dos clientes. As estatísticas não são nada favoráveis.

Outra dissintonia é o tratamento fragmentado em suas abordagens. Confunde-se, na prática, o artifício didático de classificar a organização nas dimensões familiar, societária e negócios, como soluções de governança em si, apartadas da totalidade. Estaremos diante de uma miopia em não ver a floresta ou mera proteção profissional aos seus campos de saber? Nossa trajetória como educador, consultor e conselheiro tem nos ensinado que o conhecimento não deve ser elitizado nem restrito ao domínio do especialista, mas, sim, convergente, colaborativo e aplicável.

Cabe lembrar que empresas ou instituições são organismos com funções interdependentes, cujos resultados são reflexos da eficácia de sua cadeia de valor e da integração dos sistemas racional-emocional de que são constituídas. A estratégia, por exemplo, apoia-se na gestão, tanto quanto os propósitos e norteadores na harmonia dos interesses familiar-societários. Tampouco a compliance será efetiva sem a integridade, enquanto todo o conjunto está imbricado com a motivação e competências humanas.

Não é mais suficiente subordinar as organizações aos parâmetros da modernidade ditados pelo mercado e investidores. A demanda real é por governança de fato e de direito, mais convergente e integradora do crescimento econômico e do desenvolvimento social das organizações. Um requisito de sucesso é a adequação de conceitos, métodos e práticas ao estágio do ciclo, cultura e mercado de cada empresa. E dá para acrescentar: de forma mais acessível e descomplicada.

Muitos textos orientam as empresas sobre o que mudar. O objetivo aqui é contribuir para que a governança corporativa continue sendo este importante referencial entre o passado e o futuro de milhares de empresas brasileiras, sem distingui-las por porte ou faturamento.

No centro da mudança está o protagonismo dos agentes internos e mentorias orientadas para servir. A personalização dos processos de educação corporativa e construção colaborativa os habilitará sucedidos e sucessores a inovar e sustentar a própria governança em suas empresas. Obviamente, isso valorizará consultores e conselheiros com experiência ampla e compreensão holística da organização.

Vamos falar mais sobre isso?

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